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E por falar em saudade e outras coisas.. MUDANCA DE ENDERECO!!! Oi pessoal, to mudando de casa-blog! Aqui esta dando problemas, nao da pra comentar.. entao resolvi partir! Vou re-postar esses dois ultimos posts no blog novo, e depois vou ver o que faço com os textos anteriores, vou tentar passar para o novo tambem. Enfim, vejo voces por la! http://blog.crismotta.com/ Beijos!! Cris Motta Escrito por Cris... às 10h22 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Voce sabe valorizar um momento de alegria? E por falar em ausencia, faz mais ou menos um milênio que nao posto por aqui. Andei meio desanimada com mil coisas. Tive meus dias de desanimo com a humanidade, mas hoje estou aqui para lembrar um velho ditado, que era muito escrito nos caderninhos de recordaçao que todas as meninas tinham, mais ou menos uns 20 anos atras (como sou velha!!! "Valorizando um momento de alegria, você faz feliz todo o seu dia". Naquela epoca, era uma dessas mil frases COPY + PASTE que encontravamos em todos os cadernos, e a maioria escrevia mecanicamente. Talvez naquele tempo nao tivessemos que nos preocupar em caçar um momentinho de alegria no dia pra pensar que ele valeu a pena... rsss Era tudo feliz! Facil!! Mas a gente cresce, o pessoal que esta em volta da gente tambem cresce, e aparece o pessoal que adora atazanar sua vida e jogar sua esperança na humanidade no lixo. Tentam, insistem.. mas estou aqui para resistir! Recebi um presente inesperado vindo do Japao, de uma amiga do orkut! Isso melhorou o meu dia, que havia sido nebuloso por conta de uma piada racista que escutei. Vindo de uma pessoa que tambem sofre preconceitos. Achei muito ridiculo tudo isso... Porque eu ja sou TAO contra racismo, e pra mim parece tao absurdo que quem sofre tambem humilhe os outros, que fiquei em estado de choque.. pasma, passada, bege.. todas as palavras nao seriam suficientes para expressar o meu espanto. Acho que sou meio inocente. Porque isso acontece todos os dias. Basta o povo ter um pouco de poder, de dinheiro, sei la o que, para pisar no outro. Que estava ha dois segundos atras do seu lado. E esse presente (por pura compaixao por mim , que havia sido "esquecida" pela minha amiga secreta de orkut), esse presente veio de uma menina, que me prometeu mandar um postal (apos querer mandar um presente e eu nao aceitar, por nao achar certo ela pegar a responsabilidade de outra pessoa).. ela me "enganou" e mandou chocolates japoneses e presentinhos... Se ela mandasse so o postal ja seria meu sol. A esperança estava novamente ali. Mais um sopro para nao apagar a brasa da esperança, que estava tao apagadinha depois do balde de agua fria. Fiquei feliz, voltei ao meu normal, e agora estou me permitindo de escolher melhor as amizades... Antes so do que mal acompanhada, ja dizia mais um ditado...e é a mais pura verdade!!! Enfim, preciso rever aqueles caderninhos da minha pre adolescencia... o que mais nao vou achar por la? E voce, tem dias que perde a esperança em tudo e todos? O que precisa pra te levantar o astral? Voce consegue fazer feliz o seu dia, a partir de um momento de alegria? Escrito por Cris... às 16h48 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Fast forward Rewind Pause ou só Play? E por falar nos tempos da vida, o que você faria se pudesse controla-la como um filme? Daria um fast forward, para que o futuro chegasse mais rápido? Para aquela promoção, a festa de natal, o reencontro, a faculdade, os 18 anos chegassem logo? Ou quem sabe um rewind? Para reviver os dias de infância, aquele amor de verão, os dias de faculdade, o começo do casamento, a infância dos filhos? Ou ainda para voltar a tempo de não fazer aquela bobagem da qual você se arrepende ate hoje? Para dar aquele beijo, dizer aquele “te amo” que poderia ter mudado tudo... Talvez você hoje quisesse dar um pause. Simplesmente porque não sabe para onde vai e não quer continuar a ser levado pela maré. Talvez porque esta muito cansado, ou tudo esta muito complicado e você não consegue enxergar o que esta fazendo ou o caminho pelo qual você esta caminhando. Um pause de uns 10 minutos, ou 10 dias, ou quem sabe mesmo 10 anos. Não ofereço a opção do STOP nesse post porque creio que a vida tem muitos momentos maravilhosos, no meio de tanta desgraça e dificuldade. Creio que um pause seria suficiente. Pelo menos para mim e respeito a opção de cada um. Se tantas e tantas pessoas se suicidam, dando um stop em suas vidas, chego a pensar que alguém deve ter um motivo fundamentado, embora eu nunca tenha conseguido enxergar nada que de razão para que tal coisa aconteça. E no que eu acredito que seja o motivo para que hoje estejamos vivos, não tem nada a ver com a opção de por fim na própria vida. Mas vai que minha crença ou ideologia esta toda errada e esta certo quem não leva a vida do jeito que eu levo? Quem pode afirmar alguma coisa? Para mim, creio que faria uns “mini-flash backs” (vocês assistiam Os Normais??). Por exemplo, num dia cinza, que eu estaria precisando de alguma coisa SUPER pra levantar o astral, pra matar a saudade, faria um mini-flash back. E de repente estaria novamente nos EUA com meus amigos latinos fervendo em um bar de salsa. Ou com as amigas em São Lourenço bebendo vinho e falando bem da vida numa pizzaria. Ou ainda em SL com minha grande turma em cima do trio elétrico no carnaval. Ou brincando com minhas afilhadas. Ou no almoço do dia dos pais no ano passado. Ou no meu casamento, com minha família, alguns amigos e a minha avo e muitos sorrisos, lagrimas e saudades. Ou comendo morangos na casa da minha outra avo, também falecida. Ou numa sessão de amizade explicita em Campinas, com tantas pessoas. Ou.. Ou.. Ou... Sabe, recordar é viver novamente o momento.. e só de pensar nesses momentos (e outros impublicaveis), já tive uma super dose de bons momentos. Experimente fazer uma lista de coisas boas que te aconteceram, mesmo aquelas breves. Não se concentre no que aconteceu de ruim depois (morte, fim do namoro, demissão). Tente antes de dormir fazer um bom momento de melhores momentos da vida. Quanto ao futuro que esperamos com ansiedade, nada podemos fazer, a não ser nos prepararmos para quando a grande hora chegar! A hora de darmos aquele abraço gostoso, de poder dirigir um carro, de poder comprar algo com o primeiro salário ou com o dinheiro da promoção, ou ainda de ir viajar com a chegada da aposentadoria.. Sei que a vida não é um dvd que da pra dividir por capítulos, e dar nosso pause, rewind, fast forward ou até mesmo o stop. Mas pelo menos podemos rever (e recordar é reviver) nossos melhores momentos. Mas lembrando sempre que o que vivemos é o PLAY. Sem efeitos especiais, sem maquiagem fantástica, sem por do sol na praia a cada cinco minutos, sem poderes mágicos. E temos a obrigação, para nosso próprio bem, de fazermos hoje momentos maravilhosos para podermos relembra-los amanha, em forma de flash back, e novamente sorrirmos. Bons futuros flash backs hoje! E você, se pudesse, qual botão do controle usaria? Ou prefere viver a vida so no presente e não pensar no que aconteceu e no que vira? Por que? Pense num momento flash back e dê um sorriso!............................................................................ E o que você vai fazer hoje para que tenha um momento digno de flash back amanha? Escrito por Cris... às 10h09 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Auto propaganda: a alma do negocio e o tédio da vida pessoal? E por falar em relacionamento com o mundo, eu me pergunto, o que leva as pessoas a fazer uma grande auto propaganda ao conhecer uma nova pessoa? Qual é o interesse de se auto promover, quando não se trata de um novo emprego ou de algo formal? O que falta para essas pessoas? Confiança? Ou o que sobra? Confiança? Já estive em muitos lugares e conheci muitas pessoas (será que eu estou fazendo uma propaganda minha?), e por conta disso as vezes me pego face a pessoas que tentam de toda maneira se tornar mais interessantes. Mais interessantes do que são, ou mais interessantes do que o interlocutor (no caso eu).Ou simplesmente espalhar o quanto sao interessantes de verdade. Me encontro com pessoas que ficam listando o que já fez, como é querida pelas pessoas, como todo mundo sente saudade dela, ou como a amavam em um emprego antigo, como era mais magra, a mais inteligente. Ou ainda a auto propaganda pelo ódio: como era odiada pelas outras mulheres ao seu redor, como era odiado pelos colegas de trabalho, como era invejado por tanta gente. E tudo isso, obvio, porque a pessoa em questão era mais inteligente, rico, bem relacionado, esperto, bonito, desejado. E existe também os que ficam contando vantagem de coisas que não levam a lugar nenhum.. contando como o ex a achava boa de cama, como fulana nunca a esqueceu, como cicrano ainda a ama e procura, etc.. As vezes me pego olhando para as pessoas enquanto elas fazem esse discurso sobre a própria vida (que muitas vezes sei que não é verdade, ou pelo menos não é tudo verdade), e fico me perguntando qual é a graça e o objetivo de ficar contando vantagem quando se conhece alguém. Claro que existem situações em que falamos de nos mesmos.. falamos da nossa vida, de nossas qualidades, porque também a (as vezes falsa) modéstia pode atrapalhar em uma procura de emprego, uma promoçao, e coisas no estilo. Mas quando conhecemos alguem, ou quando o papo é so esse.. enche o saco.. ou sera que so eu fico cheia com isso??? Me pergunto se essas pessoas são as mais inseguras, se são as menos capazes, e então elas jogam as palavras com essa segurança aparente e intimidam os menos avisados.. Hoje em dia, após ter encontrado vários espécimes desse grupo, fico até um pouco impressionada com a minha reação.. parece que desligo um botao e fico com um olhar externo, totalmente fora da conversa. Fico incrédula e me pergunto qual seria a intenção final de tanta auto promoção? Será que eles jogam essa conversa para todos que conhecem? Será que isso é normal? Será que eu deveria fazer o mesmo? rsss (Olha.. eu não conseguiria surgir um papos assim no meio do nada). Isso acontece com todo mundo? Você faz isso com os outros? Será que eu faço isso com os outros e não percebo? E você o que pensa das pessoas que tem uma auto imagem acima da realidade? Será que é insegurança? Será que é a vontade de ser algo que não é? E se é, por que o ser humano tem essa vontade de ser superior ao próximo? Por que essas pessoas estão sempre competindo com o mundo? Escrito por Cris... às 19h55 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Amigos, amigos, como viver sem eles? De volta a ativa e com Internet em casa... agradeço as visitas, o carinho e os comentários, que em breve responderei, e aguardem, vou visita-los tambem!! E por falar em amizades, quantos “melhores amigos” podemos ter? O que é a verdadeira amizade? Ter tipos diferentes de amigos para diversas ocasiões é uma busca de aceitaçao de nossa opiniao ou uma sorte? Bem, explicando. Sou uma pessoa de muita, muita sorte.Tenho diversas grandes amigas. Boas amigas mesmo, para risos e choros, para a distancia e para o cochichar no ouvido, para risos histéricos e silêncios profundos. Eu as levo na mente todo o tempo, sempre vejo coisas que me lembram de minhas amigas, e isso sempre no plural. Não somos um grupo, cada uma é de um lugar. E embora fale de quase tudo com cada uma, sempre tem um assunto que pesa mais com uma do que com outra.. Se vou falar de família, ou de sexo, ou de marido, ou de ex namorado, ou de trabalho, ou de angustias, sempre tenho tendência a pensar em uma ou outra para fazer um comentário, contar uma novidade ou segredo. Claro que cada uma tem as suas particularidades porque viveu comigo uma fase distinta da minha vida... acompanhou de perto, na mesma cidade, ou na mesma escola, ou no mesmo pais, os meus passos, e por isso, conhece mais de cada assunto... Mas não é isso.. acho que é que sei que vou atrás de quem vai entender mais o que eu vou falar.. Pelo pudor de falar de sexo de uma, ou pela incompreensão de outra sobre falar de ex uma vez que sou casada, ou por outra ser solteira e não entender o dia a dia (as vezes cansativo) com um marido (que afinal é um fofo), ou por isso, ou por aquilo. E ao mesmo tempo, fico pensando... será que estou correndo atrás de aprovação, fugindo do que não quero ouvir? Ou será que é bom para elas, porque não as confronto com assuntos que elas não se sentem a vontade? Será que eu estou superprotegendo ou subestimando minhas amigas? Será que todo mundo faz isso? Ouvi de uma dessas amigas, queridíssima, a seguinte frase, que considerei uma perola: Cris, eu posso ate não concordar com você, mas tenha certeza que eu vou estar sempre do seu lado para te escutar e te apoiar na sua decisão. Claro que eu não vou fazer nada ilegal que ela tenha que guardar um segredo de estado, mas isso me tocou profundamente. Sei que posso falar para ela o que quiser.. e que teremos uma conversa franca e enriquecedora. E que no final da conversa seremos ainda mais amigas do que antes, como acontece a cada papo nosso.. Acho que tem um ponto na vida da gente que aproveitamos mais sabiamente as amizades.. entendemos mais os limites e nos esbaldamos com a liberdade que cresce entre as duas pessoas. Podemos expor nossas questões mais profundas, dizer nossos medos bobos, sem medo do ridículo, sem o julgamento de um desconhecido.. Penso que a amizade é uma coisa genial, se pararmos para pensar.. uma vontade de estar junto, e sem sexo (nada contra sexo, muito pelo contrario..). Uma coisa tão forte, que as palavras bastam... a cumplicidade é tão grande que não precisa da pele. Que bom para mim, que nos últimos anos tenho feito e deixado grandes amigos em cada lugar que vou. E o impressionante é que a amizade continua a mesma... aquele mesmo sentimento de que “parece que foi ontem”, mesmo tendo passado anos. Melhor para nos, apesar da tristeza da distancia.. Existe uma citação do Vinicius de Morais que fala sobre a amizade, que pode chocar aos apaixonados: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.” Não gosto nem de pensar na morte dos meus amores.. mas não poderia também suportar a morte de todas as minhas amigas”. E acho que não é bobo comparar um ao outro. Lógico que com o amor temos o dia a dia, o norte, o porto seguro. Mas pensar no amor incondicional dos amigos é lembrar de outra metade da vida.. Disse ao meu marido, sinceramente, nessas semanas difíceis longe de minha família e amigos, com a morte da minha avo, e ainda sem Internet e so com o celular... vi claramente que eu estou sempre dividida, apesar da minha decisão pensada sobre sair para o mundo. Sempre lá e cá, sempre em pedaços.. E para citar Vinicius eu digo ainda: Eu sei que vou sofrer, a eterna desventura de viver, a espera de viver ao lado teu, por toda a minha vida.. Então aprendo, a cada dia, a viver essa eterna desventura, a minha feliz aventura de viver longe dos meus pedaços, das minhas metades, espalhadas por ai. E você, também se sente dividido em mil pedaços, deixando um pouco de si aonde vai?
Escrito por Cris... às 11h20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Voce vive a angustia da urgencia quando alguem morre? E por falar novamente em saudades, mas dessa vez saudades que não podem ser consoladas, venho contar que minha avo faleceu ontem. E eu, que já tinha me decidido a ir para o Brasil acompanhar os últimos momentos, e acompanhar a família nessa hora tão difícil, me encontrei aqui na França, de mãos atadas. Passei o dia ao telefone, tentando buscar um pouco de consolo entre os amigos, tentando consolar os parentes, enfim, tentando estar la. Mas a dura verdade é que eu não estava. Me senti mal, me senti menos da família, me senti egoísta sem ser na verdade. Eu estava longe, tinha abandonado a todos sem querer ter abandonado ninguém. Sei que ninguém que estava la estava pensando isso, sei que isso é coisa da minha cabeça, mas ao mesmo tempo saber de tudo isso não diminui esse meu sentimento a meu respeito. Me julgo e estou me condenando. A razão não esta acima do coração dessa vez. Meu coração não esta me perdoando.. Eu estou no meio do processo de visto de permanencia na França. Ainda tenho um documento provisório, de validade curta, embora já esteja casada com um francês há mais de dois anos e meio. Então para sair daqui eu teria que ter uma boa justificativa enquanto meu processo não termina e eu não recebo o documento (que vai valer so por um ano.. uma piada). A boa justificativa pode ser a morte de um parente. Desde que seja provada por um atestado de óbito, (traduzido para o francês,e obviamente por um tradutor juramentado). E isso tudo antes que eu saia da França, porque senão terei problemas para entrar depois e meu processo volta ao zero. As leis contra a imigração mudaram recentemente por aqui, e não sei o que poderia trazer ao processo. Enfim, estou basicamente prisioneira nesse pais e me sinto mal. Me sinto mal e tive que maldizer essa B.. de burocracia francesa que impede que alguém vá ficar perto da sua família em um momento assim, sem antes pedir mil papeis. Fiquei muito desatinada comigo mesma, porque pensei que se fosse meus pais que tivessem um problema, eu teria pegado o primeiro avião, sem nem perguntar se eu poderia voltar depois. Questionei se estava fazendo a coisa certa em ficar aqui por causa desses documentos. Curioso como a morte e o nascimento despertam os sentimentos de urgência. A urgência da proximidade, a urgência da palavra. Como nos queremos estar perto da família e amigos nessas horas. (insisto muito nos amigos porque tenho muita sorte e sou rodeada de bons amigos..meu coração esta divido entre cidades e paises e para mim eles são uma parte da família, com o beneficio que os escolhi). Estou na urgência de reencontrar pessoas, de dizer que sinto falta, que gosto de estar com elas, de dar um beijo, de fazer uma farra, de escutar um problema, de almoçar junto no domingo. As básicas coisas, banais, que sentimos falta na distancia. Não posso dizer que não aproveito quando estou perto.. por ter mudado já algumas vezes de cidade, de ter morado longe, aprendi rapidamente a aproveitar as oportunidades de aproveitar o tempo com as pessoas... o famoso “quality time”. Mas mesmo assim, nunca acho que é suficiente. Nunca. Sempre acho que deveria ter ficado um pouco mais, dito algo a mais, feito mais. Mas mesmo nessa situação triste, de estar longe da família num momento de perda, tento ver o ponto positivo: reafirmar a certeza da necessidade de convivência. Para mim, é essencial estar junto, fazer um esforço quando bate a preguiça, porque como já diriam tantos... a gente so se arrepende daquilo que não faz. (acho que às vezes a gente se arrepende do que faz, mas pelo menos não ficou na duvida). No que tange a morte de minha avo, estou serena por um lado. Sei que foi ela que escolheu de ir embora. Sempre muito independente, resolveu sair de cena no momento em que perdeu o que mais prezava, que era o fato de não precisar dos outros para fazer nada, de se virar sozinha. E foi em paz...só me resta respeitar a sua decisão. Me contaram (pelo telefone, claro) que ela, uns 15 dias atrás, dizia: O que vocês querem também? Já tenho 88 anos, esta na minha hora já.. E isso sem estar reclamando, ela só estava comunicando o fato que ela havia constatado, que ela sentia que a vida estava lhe escapando. A única coisa que me deixa triste é que eu não estava lá quando ela se foi. A vi pela ultima vez no natal. Mandei um postal em janeiro. Falei com ela pelo telefone em fevereiro. Mas essas datas na verdade não importam agora. Porque eu a amei a vida inteira, e levo comigo, alem da semelhança das mãos, um exemplo para a vida toda... E você, leva consigo ensinamentos dos que se foram? Sente a urgência da convivência com os que ficaram, quando alguém morre ou isso ja é natural para voce? Já aprendeu a aproveitar as oportunidades que aparecem na vida (oportunidades de passar tempo com as pessoas e de lhes dizer o que sente)? Eu espero que sim. Escrito por Cris... às 12h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] E por falar em saudade, deixem-me falar de minha avo, que esta la longe, no Brasil.. a milhas e milhas, horas e horas, euros e euros de distancia. Minha avo, a ultima entre os pais de meus pais, esta no hospital, e não esta bem. E eu estou aqui para ser obvia e lembrar de coisas que ouvi de minha avo e como as relacionei na minha vida. Mil coisas já se passaram pela minha mente e é claro, entre essas coisas, os nossos melhores momentos e também a ultima vez que a vi. Não estou me despedindo dela não... não se preocupem que não desisti de vê-la na próxima vez que for ao Brasil. Minha avo teve um marido muito bravo, o meu avo (que eu não conheci, so conheci a fama), e ela me contou que ele não a deixava nem cumprimentar as pessoas na rua.. ciúme, machismo, não sei.. E ela aceitava, mesmo não achando certo. Com um ano de casada, eu fui de São Paulo para o Rio de Janeiro sozinha, encontrar um amigo finlandês que eu não via fazia uns 3, 4 anos. Amigão, companheiro de farras e horas difíceis quando moramos nos EUA em 2001. Fui para o Rio com a “aprovação” do marido e com as criticas severas de meus pais. Afinal de contas, “não era certo uma moça deixar o marido para ir encontrar com um amigO”. Fiquei remoendo as opiniões alheias por dias até que resolvi. Primeiro, seguir a minha opinião. Eu deveria ir, pois meu amigo não escolheu o Brasil por acaso para passar as férias com os amigos, eu estava nos planos e no roteiro. Eu estava morrendo de saudades dele, saudades que a Internet não matam. E iria reencontrar uma amiga brasileira, namorada dele, que não via fazia o mesmo tempo. Todos os motivos para ir. E em segundo, como eu casei, é no mínimo de bom tom perguntar a opinião do marido... rsss E ele deu a maior força. A família torceu o nariz. Minha avo me apoiou. Voltando do Rio, passei por Minas e fui na casa dela... contei a historia e contei que meus pais tinham desaprovado, e tal.. (detalhe.. nisso eu já tinha uns 28 anos..meus pais acham que eu não cresci..). Ela falou o seguinte: “No tempo do seu avo, ele não me deixava nem cumprimentar as pessoas na rua e eu passava por esnobe. Eu não concordava, mas me calava. Hoje em dia os tempos mudaram. Os casamentos são diferentes e vocês têm mais liberdade para terem suas opiniões e vidas. Esta muito certo que você foi ver o seu amigo.. e não ligue para a opinião dos seus pais não, que eles são velhos!”. Sorri, como faço agora, com lagrimas nos olhos. Minha avo de oitenta e tantos anos, estava ali, a me pregar a liberdade, a comunicação entre o casal e a individualidade, apesar do amor. Parece engraçado falar apesar do amor.. E eu sou um ser livre. Esse post é uma homenagem a minha avo! Que ela ainda viva muitos e muitos anos para que eu possa ouvir ainda muitas de suas pérolas de sabedoria e que eu ainda possa pegar nas suas mãos todas marcadas pelos anos, e ao mesmo tempo tão parecidas com as minhas.. Vo Beta, te amo; e estar longe de você nessa hora difícil me faz me sentir menos feliz. Detalhe critico: hoje fazem 6 anos que a minha outra avo faleceu.. Quando eu crescer, quero ser como a minha avo Beta. Ser capaz de ver meus filhos e meus netos no mundo que eles vivem, e não no que eu vivi na juventude. Quero ver o mundo mudar e saber, que mesmo que se eu não compartilhe da opinião dos outros, mesmo que eu não tenha passado pela mesma situação, eu possa entender que a situação existe e que é preciso enfrentá-la, e cada um vai fazê-lo a seu modo. E você, acha que vai conseguir acompanhar a evolução da sociedade, mesmo aos 90 anos? Vai pelo menos tentar? E hoje em dia, você tem a placidez para ver que as vezes a sociedade não esta pronta para algumas de suas idéias? Ou se revolta e tenta impo-las do mesmo jeito? Será que as pessoas que impõem as idéias são aquelas que mudam a sociedade? E voce aprendeu coisas com seus avos? Escrito por Cris... às 12h17 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Oi pessoal! Agradeço muito as visitas e os comentarios, mas acabei de me mudar e estou sem internet.. so passei por aqui agora (estou em um cyber café), mas nao vai dar para blogar hoje.. Semana que vem ja devo estar de volta a ativa! Ja tenho um tema dando voltas na minha cabeça, querendo sair... aguardem!! Bom final de semana a todos! Escrito por Cris... às 09h18 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Você tem respeito pelos outros e por si? PARTE I (esse post esta dividido em duas partes, a segunda logo abaixo..rss.. o UOL achou grande demais para eu postar de uma vez so!) E por falar em respeito, você tem respeito pelas fases da vida? Pelos limites que cada fase apresenta ou impõe? Você respeita as suas limitações? E as dos outros? Sendo obvia:cada pessoa é diferente. E cada uma se desenvolve na vida de forma diferente, em um tempo diferente. Fisicamente e mentalmente. Cada bebe começa a andar ou a falar com idade diferente, os dentinhos crescem em cada criança a seu tempo.. As meninas menstruam com anos de diferença, os “dentes do juízo” nascem também com espaço de anos (e para alguns até nem nascem). Por que o amadurecimento seria diferente, e de um dia para o outro, estaríamos prontos para a vida? E será que um dia estamos verdadeiramente prontos? O que é estar pronto para a vida? Digo isso porque me incomodam as pessoas que não tem respeito com os limites alheios.. não têm paciência com os adolescentes e suas rebeldias, seus amores platônicos e sofridos, suas alterações de humor.. Não tem paciência com as crianças menores que não entendem porque os motivos das coisas, porque agora tem que dormir, porque não pode ver isso na televisão. E, o pior de tudo, não tem paciência com os idosos, que não compreendem algumas coisas, talvez por ser muito moderno ou porque eles já perderam a agilidade de pensamento. Digo o pior, porque os idosos têm a noção que já tiveram essa agilidade e a perderam no caminho. E isso deve ser triste. Escrito por Cris... às 09h17 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] PARTE II Pois bem, as pessoas se esquecem rapidamente da fase anterior da sua vida.. e se põem a dar conselhos e fazer repreensões aos outros que estão passando pela mesma coisa que eles passaram, sem se lembrar que algumas dessas atitudes não levam a nada. E se esquecem, acima de tudo, de seus próprios limites. Conversei com uma moça que agora é mãe.. ela tem 23 anos, casada, etc. Ela, digamos, aproveitou bem a adolescência, desde seus 11, 12 anos, já saia com uma turma mais velha, inclusive comigo, que sou 7 anos mais velha que ela. E achava ótimo e não se arrepende de ter começado a sair tão cedo.. Mas ela tem uma irmã de 13 anos.. e ai começa o problema. Ela diz que não sabe o que faria se visse a irmã ficando com alguém ou bebendo com amigos. Igualzinho ao que ela fazia, e na época não achava errado.. Não discuto o que é errado ou não. Discuto a memória curta das pessoas. Eu quando tinha 17 anos queria ir de carro de Minas para Salvador com meu namorado na época... obvio e evidente que minha mãe, que nem deixava eu entrar no carro dele, não deixou. Iríamos numa turma com outros amigos, e a viagem não aconteceu por minha causa. Bem, naquela época eu me lembro de ter pensado bem forte que eu jamais esqueceria que eu, aos 17 anos já tinha responsabilidade para sair numa viagem assim. E lembraria disso quando tivesse filhos... Hoje, mesmo sem filhos, me pego pensando nisso.. será que eu vou lembrar disso no futuro? Será que eu estava mesmo pronta para uma viagem assim? Será que eu saberia conversar com meu filho se eu estivesse na posição da minha mãe? Pois bem. Ajudei a uma prima minha ir para Porto Seguro, e ela tinha mais ou menos essa idade, 18 anos.. Ela foi numa excursão, e se divertiu muito e voltou super feliz. Eu sabia que ela tinha cabeça e ia se virar..respeitei a vontade dela e ela já tinha 18 anos, e não 13... Aos 13 acho que seria diferente. Conversado, mas diferente. Bem, vocês devem estar pensando que eu deveria me lembrar que não é só porque nos, na adolescência, achamos que sabemos o que estamos fazendo, realmente sabemos. E sempre será assim. Hoje, aos 30, sempre encontro alguém mais velho que faz aquela cara de superior. E me fala como se eu fosse uma criança para coisas do tipo: alugar um apartamento, vender um carro, procurar um médico quando tiver um problema, cuidado ao sair à noite.. Sinto-me novamente com 13 anos... E penso com muito mais paciência quando vejo minha prima de 13 anos, fazendo pose de skatista, super fã e morrendo de amores por um grupo de rock, tirando fotos de si mesma numa pose rebelde e pondo no orkut, e participando das comunidades mais tontas..(tontas para mim, mas para ela faz sentido). Penso com tolerância quando vejo uma amiga morrendo de amores por um cara que não vai dar em nada... Penso com tolerância quando alguém mais velho olha para um controle remoto de um milhão de botões, ou para o computador, cheio de possibilidades escondidas.. Sei que já fui assim antes. Sei que serei assim quando for velhinha (por mais que eu seja uma vovó moderna..). Sei que hoje sou melhor que ontem, e que as críticas e o ar de superioridade dos outros não me levaram a lugar nenhum. E respeito também, além da fase dos outros, a minha própria fase. Sei que não estou pronta para algumas coisas, e que estou pronta para outras. Sei que as coisas vêm com o tempo, e não as forço. Isso não quer dizer que eu sempre tenha algo para dizer para quem esta passando por uma situação pela qual eu já passei.. especialmente de conselho sentimental.. adoro passar horas falando de relacionamentos difíceis! Mas olho com ternura para os adolescentes se esguelando pelo Rebeldes ou pelo Charlie Brown Jr ou pelo o que for.. Eu já me apaixonei pelo New Kids on the Block e não me fez mal nenhum (apesar de não ter me acrescentado muita coisa, além da pratica do inglês). Acho que é uma fase..uma parte do desenvolvimento de cada um. E respeito o caminho dos outros e o meu próprio, tentando sempre guiar quando puder para um mais interessante. Sem repreensões, sem críticas. E miro no futuro um tempo aonde vou saber de tudo! Sei que não saberei nunca de tudo, mas vou saber bem mais do que hoje. Mas uma coisa que não quero nunca esquecer é o respeito aos outros que ainda não tiveram a oportunidade nem o tempo de aprender o que já aprendi.. E a calma de saber que tem coisas que só vem com o tempo. Não posso colher maças se não plantar uma macieira e esperar ela crescer..no seu tempo. E você, respeita as fases e os limites das pessoas? E respeita suas próprias fases e limites? ps: li uma vez não sei onde: “Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse...” Escrito por Cris... às 09h15 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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